emerson gonçalves
17/04
Durante a comemoração do Centenário do Santos FC, muito se falou no crescimento da torcida santista, motivado, principalmente, pela presença de Neymar, tanto nos gramados como fora deles e, sobretudo, nas telas, telinhas e telões de todo o país.
Acredito que há mesmo um processo de crescimento da torcida em curso. Todavia, vai demorar ainda alguns anos para termos a sua exata dimensão, porque as torcidas crescem, quase que totalmente, entre as crianças, e isso até uma idade próxima dos 10 anos ou talvez, ainda dependendo de confirmações, até 12 anos de idade. Atingida uma ou outra, a criança, agora já entrando na adolescência, tem seu time do coração definido e não muda mais (novamente como regra geral, à qual sempre haverá algumas exceções).
Basicamente, dois grandes fatores referentes ao próprio clube levam ao crescimento da torcida: a conquista de títulos e a presença de um ou mais ídolos de real significância. Nos dias que correm acredito serem esses os dois grandes motivadores de crescimento, uma vez que até mesmo os fatores de ordem familiar acabam sendo influenciados pela performance nos gramados.
A tabela acima mostra o comportamento das três maiores torcidas brasileiras e mais a do Santos, no período 1993/2010, considerando somente pesquisas do Instituto Datafolha.
No correr desses anos, a posição da torcida no ranking ficou em torno do oitavo lugar, atrás de Grêmio e Cruzeiro e alternando posição com o Internacional, já com alguma vantagem sobre Botafogo e Atlético Mineiro. A segunda tabela deixa esse posicionamento bem claro, justamente pela sobreposição de linhas, que dificultam e até impedem uma visualização isolada de somente um dos clubes. Reparem que Grêmio, Cruzeiro, Santos e Internacional partem da mesma base de 3% em 1993.
Ainda em 2010, a pesquisa Lance/IBOPE coloca a torcida santista em 8º lugar, com participação percentual de 2,7%. Temos aqui um ponto extremamente importante a considerar: ao contrário das pesquisas Datafolha, que consideram somente as pessoas já capacitadas a votar, ou seja, com 16 anos de idade para cima, a Lance/IBOPE considerou o universo de brasileiros com 10 anos de idade e mais. Essa participação, por sinal, coincide com a que foi levantada pela pesquisa Lance/IBOPE de 2004, com percentual e colocação idêntica no ranking: 2,7% e oitava posição.
Temos, por fim, a pesquisa Pluri (leia post aqui), realizada em janeiro desse ano, tendo por base o universo de brasileiros com 14 anos de idade e mais. De acordo com esse estudo, a participação da torcida santista é de 3% (valor arredondado pelo instituto), na 9ª colocação, imediatamente atrás do Internacional e à frente da torcida do Atlético Mineiro. Se considerarmos o valor não arredondado – que foi de 2,75% – veremos que o mesmo é consistente com o índice da pesquisa Lance/IBOPE.
A rigor, não temos hoje números confiáveis para apoiar a tese de crescimento da torcida santista, justamente pelo fato apontado logo no início: ele se dá, naturalmente, entre as crianças e neo-adolescentes, duas faixas da população que raramente fazem parte das pesquisas. Entretanto, mesmo sem o apoio dos números de pesquisas, a simples observação da movimentação entre os componentes dessas faixas etárias mostra que a atração exercida por Neymar é enorme, quase unânime, e isso, por extensão, levará parte desses jovens a torcerem pelo Santos.
Estou certo que isso será constatado pelas próximas pesquisas que incluírem jovens e crianças entre o público pesquisado, mas não imediatamente e sim a partir de 2014. Resultados ainda mais claros e consistentes começarão a surgir a partir de 2016.
A permanência de Neymar até 2014, pelo menos, dará mais força e solidez a esse crescimento. O ideal para o clube e seu planejamento, é que esse período seja marcado por conquistas expressivas nos gramados. A combinação de ídolo e conquistas influenciou fortemente o crescimento da torcida são-paulina a partir do início dos anos 90. E Raí, o grande ídolo tricolor de então, não teve a força e penetração que tem Neymar hoje, sem contar que o peso da mídia é hoje bem maior que nos anos 90 do século passado.
Pelas declarações do presidente Luis Alvaro e pelos pontos conhecidos do planejamento do Santos, esses pontos estão plenamente considerados e norteiam a estratégia do clube, de manter bons elencos e ser competitivo em todos os campeonatos disputados.
A grande cereja desse bolo será, sem a menor dúvida, a conquista de um Mundial de Clubes nos próximos 3 anos.
Em tempo: ainda ontem o presidente LAOR voltou a projetar o crescimento da torcida: “Queremos ser a terceira maior do Brasil em cinco, dez anos.”
Para que isso ocorra, o Santos precisaria mais que triplicar sua atual base de torcedores, torcendo ao mesmo tempo para que outros clubes não apresentassem crescimento significativo em suas torcidas. Mesmo com Neymar e com títulos, entretanto, não há como apresentar tal taxa de crescimento, muito menos em período tão curto como o que foi dito pelo presidente santista.
Considerando que diversos fatores deem certo, tanto a favor do Santos como contrários a outros clubes, é possível, sim, o clube pular para o posto de 5ª, talvez até 4ª maior torcida brasileira, mas num período bem mais dilatado.
Fala , Santista ....






